Dúvidas e Respostas

O que acontece comigo pode ter origem espiritual? Pergunte, procuraremos respostas juntos.

Objetivo deste blog: Auxiliar através dos textos postados, se você tem dúvidas sobre o que anda vivenciando, vamos conversar, vamos procurar resposta juntos, esta a função deste espaço. Comente, pergunte, questione, duvide, esclareça, estamos aqui! Deus os abençoe na esperança de dias melhores!







sexta-feira, 18 de março de 2016

FÉ, INABALÁVEL? QUEM TEM?



Antes de começar a escrever sobre o assunto fui até o dicionário procurar o significado da palavra "fé" e encontrei várias definições:

Adesão absoluta do espírito àquilo que se considera verdadeiro.

Só de ver essa definição já me deu canseira, se pensarmos então nessa primeira hipótese, adesão absoluta do espírito àquilo que se considera verdadeiro, fico muito triste, porque tenho tido em minha encarnação várias provas da bondade de Deus para comigo, e mesmo assim, minha fé ainda é tão... reticente.

Mudei para São Paulo aos nove anos, morava na cidade de Franca, onde nasci, frequentava, a contra gosto de meus pais, o Centro Espírita Nova Era, e ficava muito bem, gostava bastante das coisas que aprendia por lá. E tinha minha avó Nenê que defendia esse meu lado "ovelha negra", visto que toda a família era católica apostólica romana. 

Quando cheguei a São Paulo, meio escondida para não arranjar briga, encontrei a FEESP, localizada no Viaduto Maria Paula, eu morava na Avenida Ipiranga 200, no Edifício Copan. Quando perguntavam onde eu ia, dizia que era na igreja, isso aconteceu por uns três ou quatro anos, até que meu pai resolveu me seguir e descobriu que estava indo novamente "àquele lugar" e, ainda mais, estava mentindo.

Resultado: fui proibida de ir à centros espíritas. Fiquei mal de verdade! Eu tenho dupla vista e nunca minha mediunidade teve descanso, então precisava muito de direcionamento.

Vou contar a vocês algo que ocorreu comigo perto dos quinze, e vocês poderão entender essa história.

Fiquei muito doente e durante um certo tempo foi uma peregrinação em consultórios médicos, até que recebemos o diagnóstico de leucemia. Imaginem, era o ano de 1968, eu estava com treze para quatorze anos. Comecei o tratamento, doloroso, sofrido e ineficaz

Até que um dia o médico chamou meu pai e disse que eu não reagia aos medicamentos, à quimioterapia, não havia mais o que fazer. A notícia correu pela família e chegou aos ouvidos do querido tio Edebar Madrugada, marido de minha tia Ida Macarini Madrugada, hoje morador do Plano Espiritual, uma pessoa incrível de bondade.

Era uma quinta-feira, do mês de julho de 1969, estava muito frio, eu estava em minha cama deitada, coberta por vários cobertores, era muito doloroso, até mesmo mexer a cabeça. Ele entrou no meu quarto, me enrolou num cobertor, olhou para meu pai e disse:

- Estou levando a Eliane num centro perto de minha casa, é bom não tentar me impedir.

Lá fui eu, com um pijama de flanela branco com estampas de bichinhos, que parecia dez números maiores que a necessidade de meu corpo, estava pesando vinte e oito quilos.

O carro parou frente a uma casa muito simples na Vila Maria, tio Edebar me pegou no colo, subiu uma escadaria enorme, entrou numa pequena sala, foi instruído a me sentar numa cadeira em frente a uma mesa com a toalha mais branca que já vi. Um senhor sentado á cabeceira, tomou minhas mãos nas suas e disse sorrindo:

- Menina, você não tem nada!

- Como? Eu tenho leucemia!

- Tem não, isso é apenas para seu pai te respeitar e ao seu mandato mediúnico, a doença é para ele e não para você.

Tomou nas mãos uma garrafa, aquelas antigas onde o leite era entregue, cheia de água e falou:

- Toma essa água, um pouquinho por dia, daqui há uma semana você não tem mais nada.

- Preciso voltar?

- Se você quiser, mas volta a estudar no lugar onde você ia, é mais fácil e ninguém precisa te levar, aqui é muito longe. Quando quiser nos visitar será bem vinda.

- Quem é você?

- Um amigo que precisa de sua ajuda.

- Quê?

- Um dia você vai entender.

Sai daquela casa abençoada me sentindo muito melhor, hoje, relembrando, sabia que era isso mesmo. 

Uma semana depois, o médico que me acompanhava se espantou com minha melhora, contei a ele o que tinha acontecido, ele beijou minhas mãos e falou emocionado:

- Não posso questionar a veracidade do que me conta, eu vi o estado precário de sua saúde. - virou o rosto para meu pai e disse: - Você entendeu, não é?

Nunca mais tive nada, e meus pais pararam de interferir na forma como eu manifesto minha fé.

E tenho mais e mais histórias para contar para a vocês, provas indiscutíveis do Bem Maior, e mesmo assim, ainda não consigo manifestar essa fé inabalável, mas também sei que ela é fruto de exercício constante, então não me apresso, apenas... vivo o que dá! 

A fé não é algo para se entender, é um estado para se transformar. (Mahatma Gandhi)

terça-feira, 15 de março de 2016

REENCONTROS


- Estou perdida num mundo escuro, procuro saída e não encontro. Sinto uma terrível dor no peito e não sei o que fazer, ou para onde correr. Estou só!


- O que está acontecendo com você? Algo grave a incomoda?

- Não, está tudo bem. Está tudo bem mesmo! Sou eu, apenas eu. Não consigo me interessar por nada, nada me atrai a atenção. Até mesmo meu corpo me incomoda, parece que não sou eu.

- Como assim?

- Pela manhã quando acordo, até que estou bem, tenho observado esse fato há algum tempo, e ontem percebi que essa sensação de não estar no lugar certo, começa quando olho no espelho e encontro a imagem de um rosto desconhecido para mim.

- Entendo! Qual a sensação que você tem ao acordar?

- De alegria mesmo, de esperança, lembro de outras coisas que nada têm com essa vida sem graça que levo.

- São como recordações muito intensas?

- Isso mesmo. Lembro de uma casa no meio do campo, uma varanda com cadeiras normais e duas cadeiras de balanço. Se forçar vejo um casal de idade sentado e balançando as cadeiras, eles estão de mãos dadas e vez ou outra olham um para o outro com muito carinho, parecem encantados por estarem ali juntos, há várias crianças brincando por ali, todas alegres. Sinto uma felicidade enorme, é como se estivesse observando essa cena, isso acontece desde que eu era criança.

- Recordações de uma outra vida?

- Eu sinto muitas saudades do homem, a sensação é que ele morreu e eu fiquei sozinha. Tem uma outra cena, a senhora a beira de um túmulo nos pés de uma árvore, orando e pedindo a Deus para ir embora com ele, nesse momento algumas crianças se aproximam e a pegam pelas mãos, dizendo que é hora do almoço, ela vai, bem diferente do que era, o passo é cansado, os olhos tristes; depois a vejo sentada na varanda, na cadeira que era dele, ela tem o olhar fixo num determinado ponto e quando me viro e olho, vejo que observa a árvore onde ele foi enterrado.

- Não sei o que dizer dessas suas lembranças, eu sou espírita, na casa que frequento há o atendimento fraterno, acredito que as pessoas que trabalham lá, podem te ajudar de uma forma mais eficaz. Vamos comigo hoje à noite?

- Vamos sim, estou muito cansada. Para mim está sendo difícil viver cada dia, a saudade que sinto, não sei de quê, cresce no meu peito e me escraviza a cada dia. Estou ficando obsedada por essa ideia, e sei que vou encontrar esse homem, um dia, em minha vida, então só espero por algo que, certamente, é apenas fruto de minha insatisfação, mas que também me mantem viva. Que doideira!

À noite, as duas amigas entram no salão da agradável casa espírita, estão esperançosas quanto aos resultados.

A moça das lembranças olha a sua volta buscando um lugar para sentar, encontra os olhos admirados de um rapaz que a observa. Ela sente o coração saltar em seu peito, pega a mão da amiga e a aperta com força, respira fundo e fala:

- Ele está aqui! Eu o encontrei!

O rapaz se levanta, ele tem os olhos marejados de lágrimas, se aproxima, estende as mãos para ela e fala emocionado:

- Venha sentar ao meu lado!

Eles se olham com carinho e sabem que encontraram sua vida, sentam-se lado a lado, de mãos dadas.

"...Confia e vai em teu caminho de paz.Nada é mais gratificante que ver alguém submergindo da escuridão apenas por haver acreditado na existência da luz.
Ela sempre esteve presente...
Era só abrir os olhos..." 
(Francisco de Assis)


quinta-feira, 10 de março de 2016

JULGAR NA SUPERFÍCIE... UMA FALHA GRAVE!

Eu estudei na PUCSP, no ano de 1974 comecei o curso de Letras, Língua Portuguesa. Saía da faculdade às 23.15hrs., entrava num ônibus descia em frente à Rua Major Sertório em São Paulo, eu morava na Avenida Ipiranga, no Edifício Copan.

Atravessava a Rua Major Sertório de ponta à ponta. As pessoas diziam:

- Que perigo, esse lugar é muito ruim, é o pior lugar de São Paulo, uma rua de prostituição.

E... fiz esse caminho durante quatro anos, nada de mal me aconteceu, muito ao contrário, aprendi coisas importantes para minha vida, e coisas boas. Vou contar uma história que trouxe a mim um pouco de discernimento em minhas conclusões.

Eu descia do ônibus sempre perto da meia noite, entrava na Rua Major Sertório e na esquina sempre estava uma moça, bonita, com os cabelos da cor do sol
e dona de um sorriso lindo. Ela sorria para mim e me acompanhava, anônima, em silêncio, até eu atravessar a Avenida Ipiranga, e voltava para seu lugar.

Um dia ela me deu boa noite e perguntou como tinha sido minha aula, eu respondi, feliz por ela conversar comigo. Um dia cheguei ao nosso local de encontro de todas as noites e ela não estava. Um rapaz se aproximou de mim e perguntou se era eu que ela levava até a avenida, eu respondi que sim. Ele falou que por uns dias seria ele, ela estava adoentada.

Fiquei muito emocionada pelo carinho e cuidado. No dia seguinte, comprei um bombom "Sonho de Valsa" e perguntei se ele podia entregar a ela, ele disse que sim.

Alguns dias se passaram, nunca fiquei sem proteção durante esse tempo. Até que um dia feliz a encontrei no lugar de sempre, ela estava muito magra e abatida, fui para abraçá-la e ela com gentileza me empurrou e disse que não sabia que doença tinha, então era melhor eu não me aproximar, agradeceu o bombom e disse que nunca ninguém a havia presenteado. Então, uma vez por semana eu entregava a ela um doce, um chocolate e um dia minha mãe fez arroz doce, eu levei para ela, que chorou de felicidade e contou que sua mãe enquanto viva também fazia arroz doce. Essa informação foi a única que tive de sua vida, ela nunca se lamentou ou contou algo a mais.

Terminou minha faculdade, no último dia de aula, me despedi dela, ela me abraçou e falou que estava muito doente, que em breve não poderia mais estar ali, pedi o endereço disse que a visitaria, ela disse que não, que eu deveria esquecer dela, que nosso tempo havia terminado, e olhou nos meus olhos, chorando e agradeceu assim:

- Sempre quis ter uma irmã e durante esse tempo foi você. Obrigada, mas faz anos que não trabalho mais nas ruas, quis que um dia você se orgulhasse de mim, como eu sinto orgulho de você, então larguei essa vida. Eu só venho aqui para te acompanhar, hoje sou empregada doméstica de uma senhora muito idosa e cuido dela; mas, tomei a decisão tarde, eu estou morrendo e só espero conseguir viver até o momento em que minha patroa precisar de mim, ela também é sozinha. Agora vá, e tenha uma vida feliz!

Eu nunca soube nem mesmo o nome dela, ela nunca quis dizer, como também nunca disse o meu, mas para mim, ela foi um anjo que Deus colocou em meu caminho.

Anjo de luz, tenho certeza que você está bem, sei que sempre teve um coração bom. Deus a abençoe e obrigada por seu exemplo de amor!

segunda-feira, 7 de março de 2016

RÓTULOS? HOMOSSEXUALIDADE? ASSIM... COMO VIVER É NORMAL...



Sandro saiu de casa, cabisbaixo, a mochila nas costas. Pegou apenas o essencial, algumas trocas de roupa, os documentos e uma foto, dele e sua família, a quem tanto amava.

As lágrimas escorriam por seu rosto, eram quentes e salgadas, traziam até mesmo um certo conforto, sabia que se não chorasse, o peito explodiria em mil pedaços.

Sentia mágoa, raiva, inconformação, tristeza e muita angústia. Caminhava devagar, tinha medo de cair, tamanha a instabilidade de suas emoções; a vista estava turva, o pensamento um caos, não conseguia nem mesmo orar. Estava triste demais, mas também sentia muita raiva!

Passou meses tentando descobrir como contar a sua família seu grande segredo, no início sentia medo e vergonha. Não entendia direito seus próprios sentimentos e sensações!

Pesquisou, estudou, conversou com profissionais como psicólogos, psiquiatras, médicos de todas as especialidades que pode encontrar. Procurou ajuda espiritual, trocou ideias com grandes amigos; por fim, chegou às suas próprias conclusões.

Procurou se fortalecer dentro de sua realidade, procurou respostas de como conduziria sua vida dali para frente, e foi ensinado a ser honesto, digno e nunca mentir, e sabia que só se sentiria bem quando conversasse com sua família, principalmente, seu pai e sua mãe.

Pensou bastante, inventou mil formas de falar uma única coisa, resolveu contar a sua mãe, ela era mais compreensiva e menos preconceituosa.

Suava frio, tremia e não conseguia levantar os olhos, apenas falou rápido e baixo, contou a ela, e esperou a reação:

- E você está bem com sua verdade, meu filho?

- Ainda não sei, mãe, mas estou tentando.

- Então vamos tentar juntos, está bem?

- E como vamos contar a meu pai?

- Ai, a coisa fica mais complicada, mas não devemos omitir ou mentir, então vamos enfrentar juntos esse momento está bem? Afinal, nada há de errado em suas decisões.

Mais uma semana de ansiedade e medo, seu pai era bastante preconceituoso, como reagiria a sua verdade? Finalmente, sentados os três, mãe, pai e filho.

- Pai, preciso contar ao senhor algo sobre mim.

- O que é? Finalmente, arranjou uma namorada que presta?

- Não, pai, você nunca me verá com uma namorada. Eu sou homossexual, e encontrei uma pessoa incrível, a quem amo muito. Um bom rapaz que me respeita e me valoriza.

- O quê? Você só pode estar brincando. Que brincadeira mais sem graça, se queria me deixar furioso já conseguiu. Sai da minha frente.

- Pára! Você entendeu muito bem o que nosso filho falou, ele fez uma escolha, e para ele é a saudável. Ele não está escondendo nada e nem mesmo sendo desonesto. Ele o está informando e não pedindo sua aprovação. E será respeitado como o ser humano maravilhoso que é, e chega! - falou sua mãe.

- Se você ficar do lado dele, pode arrumar suas malas e ir embora com ele, porque ele não é mais meu filho. Mariquinhas!

O rapaz levantou, foi até o quarto pegou a mochila que já estava pronta e voltou à sala.

- Meu pai sei que precisa de um tempo para entender seu filho, então terá esse tempo. Minha mãe me compreende e não será punida por uma escolha minha, ela é sua esposa e será respeitada, eu sei que a ama, como sei que também me ama. Minha mãe saberá onde estou, se quiser conversar com seu filho, eu ficarei muito feliz; mas, também me dê um tempo, porque também estou magoado com suas palavras, mas vai passar.

O rapaz saiu, sua mãe correu ao seu encontro, o abraçou e disse bem alto:

- Tenho muito orgulho de você. Você é um homem corajoso e digno. Deus o abençoe!

E lá se foi em busca de sua vida, viver sua escolha, normalmente, como qualquer um que encontra o verdadeiro amor.

O amor... Ah, o amor...

O amor quebra barreiras, une facções,
destrói preconceitos,
cura doenças...
Não há vida decente sem amor!
E é certo, quem ama, é muito amado.
E vive a vida mais alegremente...

Artur da Távola

quinta-feira, 3 de março de 2016

ALCOOLISMO - O INFERNO NA MENTE



Acordei logo cedo, disposto a mudar meu caminho, estava mal ainda, a boca seca, a cabeça anuviada, as pernas bambas, lembrava pouco do que havia acontecido na noite anterior, mas sabia que tinha feito porcaria, de novo, outra vez, só não sabia ainda a gravidade dos meus atos.

Olhei para o outro lado da cama, minha esposa não estava lá, deve ter se levantado mais cedo. Olhei o relógio, eram 5:30 horas da manhã, muito cedo. A casa ainda estava em silêncio, as crianças devem estar dormindo.

Sentei na cama, enjoei na mesma hora, corri para o banheiro e vomitei muito, passei muito mal. Suava frio e com abundância. Sentia uma fraqueza nunca antes experimentada, sentei no chão e chamei por minha mulher, várias vezes e nada, nem mesmo uma resposta.

Olhei para a janela e o dia ainda não havia clareado.

Levantei com dificuldade, abri o chuveiro e entrei debaixo da água sem nem ao menos tirar a roupa. A água fria trouxe certo conforto, mas a cabeça, os pensamentos não conseguia coordenar.

Fiquei ali por algum tempo, quando olhei a janela o dia havia amanhecido, já estava claro e chovia bastante.

Peguei uma toalha, enrolei o corpo e andei pela casa, não tinha ninguém, onde estava minha família?

Será que tinha acontecido alguma coisa?

Não lembrava de nada, nem mesmo de ter entrado em casa. Incomodado pelo silêncio e pela solidão, peguei o telefone e liguei para minha cunhada, ela deveria saber de algo.

O telefone tocou, tocou até desligar, liguei de novo e nada, ninguém me atendia. Já começava a ficar preocupado. Resolvi fazer um café, quem sabe assim me sentiria melhor.

Acendi a luz, apesar do dia ter despontado, continuava escuro, a chuva forte batia no telhado e o barulho parecia crescer dentro de mim.

Na geladeira uma folha de papel presa por alguns imãs confeccionados pelos meus filhos, esses presentes que fazem na escola. Era a letra de minha esposa.

"Querido, eu o amo muito, por isso mesmo não suporto mais ver você assim. Não suporto mais ver o assombro e o medo nos olhos das crianças. Não suporto mais ser maltratada, os safanões, os tapas e as ofensas.

Meu coração dói, nem sei se um dia conseguirei parar de chorar e sentir saudades, mas estou morrendo aos poucos. Estou permitindo que minha dignidade e meu amor próprio sejam sacrificados a golpes certeiros por seu descaso.

Pedi, implorei, chantageei, mas nada o toca, ou faz seu coração escutar nossas súplicas.

Você fez uma escolha, entre eu e seus filhos, você escolheu um copo de álcool, nem mesmo espero que um dia você se arrependa e modifique seu caminho, porque não sei se dá mais tempo.

Estamos indo embora, para salvar nossas vidas.

Peço a Deus que o abençoe e perdoe a sua insensatez.

Sua família que o ama."

O homem escorregou para o chão, os olhos rasos de lágrimas, e os soluços doloridos escapando do peito, gritou em pânico:

- E agora o que faço?

Ficou por ali um certo tempo, remoendo a dor, com pena de si mesmo, então lembrou-se de sua esposa lhe dizendo com carinho:

- Força, meu amor, você pode sair dessa.

O homem levantou, trocou a roupa, ligou o computador, anotou algo num papel velho e saiu.

Parou frente a uma casa, simples e acolhedora, onde estava escrito:


Sabia que não seria fácil, mas precisava, pelo menos, tentar se livrar dessa amarra que o mantinha cativo, escravizado há tanto tempo. Fechou os olhos, fez uma prece, coisa que não se lembrava mais como fazer, mas orou com força e fé. Sentiu alívio, como se um peso enorme fosse retirado de suas costas.

No plano espiritual, amigos que sempre o acompanharam na esperança deste momento, iam e vinham, auxiliando outros tantos, viciados já desencarnados, que faziam do homem o seu veículo para manter a sensação de estar alcoolizado. 

Se aqueles que se deixam levar pelos falsos prazeres do vício conseguissem enxergar o mundo que os rodeia entenderiam o mal que a si fazem, e que ajudam outros tantos a perpetuar.

Basta pedir ajuda, tanto para a matéria como para o espírito. Vá lá, amigo, levante-se e assuma o controle de sua vida.

Informações para contato



quarta-feira, 2 de março de 2016

Deus, o que eu fiz? Acreditei na Vida!

Sara chegou a sua casa, estava cansada, trabalhando como uma louca, afinal todas as contas de sua casa estavam sob sua responsabilidade. O marido estava desempregado há bastante tempo, já desanimado, nem mesmo pensava em sair para a rua e procurar algo para fazer, ganhar algum dinheiro e contribuir com as despesas que não eram poucas, afinal tinham três filhos para sustentar.

Sara estava muito cansada, sentia-se sozinha, os ombros doíam, parecia que carregava toneladas nas costas.

Sentou no sofá, tirou os sapatos e pensou:

- Nossa, está tudo muito quieto. Onde será que está o Toni e as crianças?

Com algum esforço levantou do sofá, foi para a cozinha, tomou um corpo de água, percorreu a casa. Eles não estavam por lá.

Deveriam ter passado na casa de sua sogra, ela gostava muito das crianças e sentia saudades. Era uma boa pessoa, mas também sabia que não gostava dela. Já havia dito várias vezes que preferia que seu filho tivesse se casado com uma moça estudada e não uma doméstica.

O choro veio, as lágrimas escorreram por seus olhos. Enxugou-as depressa, ouvira barulho na porta, eles estavam chegando.

As crianças entraram correndo, pularam sobre ela, riam alto, todos querendo falar ao mesmo tempo e contar as novidades do dia. Ela os abraçou feliz, beijou a todos com carinho e muito amor, os amava além da conta, além da razão.

Toni atravessou a porta da cozinha, olhou para ela encantado, estendeu a mão que carregava uma rosa, com certeza roubada do jardim do vizinho. Se aproximou de mansinho, a abraçou, beijou e falou:

- Você está linda hoje e sempre. Te amo muito!

Ela olhou para ele, sorriu, pensou:
"- Isso é que conta."

Toni segurou suas mãos, olhou nos seus olhos e falou com lágrimas nos olhos:

- Vou te contar algo que ando fazendo.

- O que é?

- A prefeitura ofereceu alguns cursos rápidos, profissionalizantes. E eu arrumei trabalho, fiz curso de jardineiro e depois vou fazer paisagismo. Andei a tarde toda, batendo de porta em porta, entregando alguns cartões que fiz. Três pessoas me contrataram.

- Toni, por que não me contou antes?

- Tive medo de não dar certo, estava muito envergonhado de não poder ajudar aqui em casa.

- Ah, meu querido! Você é a luz da minha vida. Nunca mais pense isso. Nós amamos você.

A melhor ajuda espiritual que podemos conseguir é alimentar a fé e a esperança, acreditar que amanhã é sempre melhor que hoje. E sempre ter a certeza que não sabemos o que vai no coração do outro.

Bom dia, mundo!